Eu sofri violência obstétrica no pré-natal

segunda-feira, 20 de abril de 2015
postado por Tatiane K.

Dois anos na luta para conseguir realizar o grande sonho de engravidar, mais informações Aqui e Aqui. Logo após que recebi o meu positivo começou uma nova etapa de luta. Os intermináveis sangramentos no primeiro trimestre de gestação devido um Hematoma Retrocorial. Nenhum médico soube me explicar porque apareceu e como ele iria sumir. Todos perdidinhos, um falou que o organismo ia absorver com o tempo, outro disse que seria eliminado através de sangramento, outro não tinha a mínima ideia. Fé em Deus e esperar. No meu caso ele saiu através de sangramentos fortíssimos, neste dia o obstetra plantonista do hospital me humilhou.

Toda gestante tem o direito a um pré-natal de qualidade, e este é um direito que visa a saúde da mulher e da criança.

Separei alguns itens de violência obstétrica na gestação que aconteceu comigo:

  • Negar atendimento à mulher ou impor dificuldades ao atendimento em postos de saúde onde serão realizados o acompanhamento pré-natal;
No primeiro sangramento fizeram eu esperar das 07:00 até as 11:30 por um atendimento. Fazem você ir de cadeira de rodas até o setor de Obstetria e depois te abandonam numa sala por 4 horas e meia. Detalhe: Hospital particular e com plano de saúde. Estava com a bunda quadrada de ficar sentada esperando o tal atendimento. Com fome fui obrigada subir um andar e ir na cafeteria. Dei muitas voltas na cobertura do hospital, olhei o movimento da rua, a paisagem e ali fiquei uma manhã toda. Falaram que a obstetra só chegaria as 11:00 horas e que eu teria que esperar, pedi para ir para casa descansar e voltaria nesse horário, não deixaram. Moro perto do hospital, poderia ir para casa descansar, me alimentar e as 11:00 horas eu voltaria.

  • Ofender, humilhar ou xingar a mulher ou sua família
  • Negligenciar o atendimento de qualidade.
Esses dois pontos posso comentar juntos. Conforme comentei no post "Sangramentos na minha gravidez" fui humilhada e me recusaram o atendimento. Tive um sangramento fortíssimo, como se fosse xixi por várias horas. Acordei as 02:00 da madrugada com a sensação de mijada. Acendi a luz e o grande susto. Acordei o maridão e corremos para o hospital. Lá o plantonista veio com a má vontade de atender, ficou bravo porque fomos naquele horário, fez o exame de toque de forma grosseira, doeu. E mandou ir para casa dormir. Não quis nem ver meus exames, nada. Só disse que deveria ter ficar em casa dormindo e não ter ido procurar um hospital.
Eu pergunto: 
Que gestante com um sangramento fortíssimo, muito mais que menstruação ficaria em casa dormindo?
Pergunta aos obstetras, é esse mesmo o procedimento padrão que toma nesses casos?

Outro dia fui trabalhar como se nada tivesse acontecido na noite passada. Na noite seguinte recebi um atendimento decente do outro plantonista no hospital, que no caso é meu obstetra.

Claro, fiz um reclamação do obstetra grosso para a Ouvidoria do hospital. Agora tenho medo só de pensar de chegar a hora do parto e ser ele que vá me atender. Deve ter me marcado, com certeza, deve saber que fui eu que fiz a reclamação. Caso não tiver gravado meu nome, vai que a Lara nasça de madrugada. Como será o atendimento dele? Será que vou atrapalhar o sono dele? Qual será a consequência disso?

Estou pensando em alternativas de fugir dele na hora do parto. Pensando seriamente em pagar o meu obstetra para me acompanhar na hora do parto. O parto tem que ser um momento lindo, momento familiar. Pretendo estar calma e não ficar apavorada só de pensar no péssimo atendimento que posso receber do obstetra plantonista do momento.

Para falar a verdade, os atendimentos que recebi dos obstetras em geral do hospital foram ruins. Até me sentia mal por estar lá, sabe que a gente sente que está incomodando, é assim que me senti quando ia no hospital. Tanto é que tive mais dois sangramentos e nem fui mais buscar atendimento médico. Levantava, me arrumava e ia trabalhar como se fosse a mulher maravilha. Tem que ter forças para não desabar neste momento que estamos tão emotivas.

Post de desabafo e polêmico, pode ser que o atendimento padrão no Brasil é assim mesmo. Independente se é particular ou público. Espero que não.

Fonte:
Violência Obstétrica
http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/repositorio/41/violencia%20obstetrica.pdf

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