Restos placentários pós parto

terça-feira, 8 de setembro de 2015
postado por Tatiane K.

Achei que o parto tinha acabado conforme relatei no post Relato do meu parto, mas depois de 35 dias pós parto, exatamente uma hora após que postei o relato do meu parto, dia 17/08/2015 começou um sangramento vermelho vivo. Esse fluxo foi aumentando e então começou uma nova novela. O obstetra que fez meu parto fez uma curetagem mal feita após o parto para retirar a placenta que ficou retida.

17/08 - 35 dias pós parto: Inicio do sangramento vermelho;

18/08 - 36 dias pós parto: Consegui agendar uma consulta com o obstetra do pré natal para o dia seguinte;

19/08 - 37 dias pós parto: Consulta com o obstetra que me acompanhou no pré-natal. Depois de uma hora de espera atendeu com rispidez e falou que não foi ele que fez o parto, neste caso só a emergência do hospital poderia ajudar. Deu uma guia para fazer um ultrassom;

20/08 - 38 dias pós parto: Fui até o hospital onde foi feito o parto. Tive que autorizar a guia do obstetra, uns 40 minutos de espera. Após fui até o setor de exames, falaram que eu deveria até a emergência. Fui na emergência, lá falaram que deveria ser no setor de exames. Falei que já vim de lá, então me atenderam. Passei pela triagem e fui para a sala de espera de atendimento no Centro Obstétrico. Quando tinha passado umas duas horas desde que saí de casa comecei a ficar desesperada. Lara em casa, logo seria o horário dela mamar. Minha sogra ia tentar dar o meu leite no copinho, mas não sabia como seria a aceitação dela. As pessoas que estavam aguardando comigo pediram para as enfermeiras colocar eu na frente e atender rápido. Me levaram até uma sala onde é feito a avaliação e ali fiquei mais uma hora esperando o obstetra de plantão finalizar uma cesárea. Chorei, só pensava na Lara em casa. Minha sogra disse que ela tomou o leite no copinho. Fiquei mais tranquila, depois o obstetra me atendeu, foi atencioso, queria saber de cada detalhe do meu parto e esse pós parto. Solicitou para fazer um exame de sangue para ver se tinha anemia e um ultrassom. Também receitou soro com medicação para conter o sangramento. Até passar todos esses procedimentos iria demorar e só pensava na Lara. Na segunda tentativa de dar o leite no copinho, a Lara não aceitou. Queria a mãe. Ela chorava em casa e eu chorava no hospital. Minha sogra levou ela até onde eu estava. Não queriam deixar a Lara entrar até onde eu estava, minha sogra deu "piti", fora o choro de fome da Lara. Só assim, eu e ela ficamos mais calmas. Neste momento trocou o plantão do obstetra. Passei por uma reavaliação e o exame de sangue deu bom e o ultrassom deu inconclusivo. O obstetra me liberou com a observação de caso o sangramento continuar realizar um Ultrassom Pélvico com Doppler;

21/08 - 39 dias pós parto: O sangramento continuou e tentei agendar o ultrassom em todas as clinicas de Joinville, consegui somente para segunda-feira dia 24. O jeito era esperar. Fim de semana não há atendimento;

24/08 - 42 dias pós parto: Na segunda-feira fui fazer o exame e apareceu restos placentários no útero. De acordo com o médico que fez o ultrassom deveria ir para a emergência para retirar esse "corpo estranho" no útero antes que infeccione. 



Fomos, eu, meu marido e a Lara (não saio mais sem ela) até a emergência. Chegando lá, tive prioridade no atendimento, porém quando o obstetra de plantão me atendeu disse para procurar o obstetra do pré natal. Eu disse que não foi ele que fez meu parto e sim um plantonista do hospital. Ele disse então, venha outro dia. Negou atendimento. Liguei para o obstetra do pré-natal e ele disse que não iria me atender, mandou novamente procurar a emergência. Falei que estava na emergência do hospital naquele momento, ele mesmo assim negou atendimento. Chorando fui até a Ouvidoria do hospital, não sabia mais o que fazer. A ouvidora pediu para voltar no dia seguinte a tarde;

25/08 - 43 dias pós parto: Fomos novamente até a emergência do hospital, atendimento rápido. O obstetra plantonista conversou comigo, explicou que meu caso não era indicado a curetagem, pois meu útero é invertido e o colo do útero já estava fechado, seria um procedimento muito perigoso. Neste momento, entendi porque ninguém queria me atender e ficou esse jogo de empurra, empurra. Esse obstetra falou qual procedimento era indicado para o meu caso e deu o direcionamento que eu tanto precisava. Ligou na hora para um obstetra especialista em Histeroscopia, explicou o meu caso e pediu para me atender. Saímos da emergência do hospital e fomos direto para o consultório do médico que iria me atender. Lá esperamos uns 40 minutos e fomos atendido. O médico deu a guia do procedimento para a autorização do plano de saúde e pediu para a secretária agendar com urgência. Saímos dali e fomos direto autorizar o exame. Deram o prazo de 72 horas para a autorização, mesmo sendo urgente;

27/08 - 45 dias pós parto: Liguei para o setor de autorização do plano de saúde para ver porque estava demorando tanto neste caso que é urgente. Falaram que já estava autorizado só que não ligaram para avisar. Peguei a senha e o motoboy levou até o consultório médico. Fiquei no aguardo do agendamento;

29/08 - 47 dias pós parto: Realização de exames de sangue e urina para a Histeroscopia;

31/08 - 49 dias pós parto: Entrei em contato com a secretária do médico que iria me atender para ver o agendamento. Sem data, falaram que iam ligar para as pacientes agendados para os dias 14, 21 e 28 de setembro, ver se alguém desiste e dá o lugar para mim. Que o correto era eu entrar na fila, dezembro. Ou seja, 5 ou 6 meses pós parto para retirar os restos de placenta. Pode isso?
Liguei para a ouvidoria da Unimed e a solução que encontraram é agendar outra médica para começar tudo de novo, consulta, avaliação, guia de cirurgia para autorizar... E agendaram para o dia 02/09 as 08:40. Tive que aceitar sem choro. Fiz um registro na ANS para poder agilizar o meu atendimento (que não serviu para nada);

01/09 - 50 dias pós parto: A Ouvidoria do hospital ligou no fim da tarde dizendo que a consulta com a médica que eles mesmo agendaram foi cancelada. Era para aguardar até o dia seguinte para ver se eles conseguem agenda com o outro médico que estava uma semana aguardando agendamento;

02/09 - 51 dias pós parto: Neste dia conversei com uma advogada e pedi ajuda, estava desesperada. Sangramento forte, dor chata de parto na lombar e uma cólica ardida. Estava temendo pela minha vida. A advogada orientou entrar com uma liminar judicial para agilizar o procedimento. Mandei e-mail para a Ouvidoria do hospital falando que estaria entrando na Justiça no dia seguinte, caso não agendasse o procedimento para os próximos dias. Menos de 1,5 hora veio a confirmação do agendamento da Histeroscopia para o dia 04/09 as 11:00 horas;

03/09 - 52 dias pós parto: Caso não tivesse o procedimento agendado para o dia seguinte estaríamos indo para Brusque. Um médico humano soube do meu caso e iria me atender neste dia. Ainda bem que ainda existem médicos humanos que podemos contar no momento do desespero. Outro hospital aqui de Joinville também já sabia do meu caso e iria prestar apoio caso, ainda tivesse a negativa de atendimento;

04/09 - 53 dias pós parto: Antes da Histeroscopia consegui conversar com o meu ginecologista que pegou meu caso. Perguntou-meu todos os detalhes e orientou-me quanto a amamentação pós procedimento. Fiquei feliz em saber que seria ele que iria fazer a Histeroscopia. Já fiz duas cirurgias com ele. Confio no trabalho dele. Fiquei das 09:00 as 16:00 horas no centro cirúrgico. A Lara ficou em casa com o papai e com a vovó tomando meu leite no copinho e na colherzinha. Deu trabalho para eles;

Meu parto durou 55 dias, considerando a fase dos Pródromos e a Fase Latente. Até que enfim acabou. Agora sim, poderei curtir o puerpério junto com a minha filha e meu marido. Estamos traumatizados! Se a intenção era essa, conseguiram. Fizeram de tudo para sofrermos todas as consequências por querer escolher o tipo de parto.


Perguntas que eu não me canso de fazer:

Onde foi que eu errei? 
É um erro grave querer escolher o parto? 
O parto humanizado em Joinville não é permitido? Por que não é permitido?

Me sinto castigada pelo sistema de "saúde" em Joinville por não ter pago a taxa ilegal para o obstetra fazer o meu parto. Por querer ter um parto humanizado dentro de um ambiente hospitalar. Este hospital vende o serviço de parto humanizado, porém, não entrega esse serviço. Pelo menos, para mim, não entregou.

Sei que posso sofrer retalhação diante do que escrevi acima, mas é algo que não posso me calar diante de toda a minha experiência negativa.

5 comentários:

  1. Eu estou chocada com isso tudo!
    Penso que vc deveria chamar a imprensa!
    Isso é crime! Karla

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    1. Eu só queria sair viva e curtir a minha família. Não quero me envolver com esse tipo de gente.

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  2. Lamentável isso que aconteceu, pior que estamos falando de instituição da saúde particular!

    Desejo uma boa recuperação!

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    1. Eu já sabia que seria difícil o parto natural com doula dentro do ambiente hospitalar. Como diz uma amiga "Foi maior ato de coragem da sua gravidez". Refletindo agora, realmente tive coragem. Hoje não sei se tenho coragem de ter um outro filho.

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  3. Menina, que dor e trauma você passou!! Chorei horrores, estou desolada com esses profissionais corrompidos pelo sistema e que não se importam com as vidas humanas. Mais o SENHOR é justo e fiel e em meio a tudo isso ELE veio e ti socorreu trazendo sua vitoria, colocou pessoas humanas ao seu redor. Gloria a DEUS.

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