Sou a Doula, muito prazer!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
postado por Tatiane K.

...ao ser apresentada numa roda de pessoas desconhecidas durante um chá de bebê que fui a convite de uma gestante, virei a Doula, com D maiúsculo mesmo.
Senti que não haviam compreendido meu nome muito menos que doula era uma profissão, mas tudo bem, não havia necessidade de explicar naquele momento. Até que uma das mulheres virou pra mim e disse:

- Qual a origem do seu nome? Super diferente, nunca tinha ouvido o nome Doula! rs

Pois bem, esclarecendo então quem é a doula, o que faz, onde vive, o que come?

Doula existe desde o início. As mulheres sempre deram à luz amparadas por outras mulheres. Havia a parteira, responsável pelo nascimento, e outras acompanhantes de parto que ofereciam uma mão amiga, um copo de água, um escalda pés ou reconforto para as costas. Essas mulheres eram da família ou vizinhas, pessoas que faziam parte da comunidade.

A palavra doula é de origem grega, que significa serva. Portanto, a doula é uma mulher que serve outra mulher durante o parto. Perdemos esse amparo das doulas legítimas à partir do séc. XIX quando os partos deixaram de acontecer em casa e passaram a ser feitos em ambiente hospitalar. A entrada do homem no cenário do parto trouxe coisas boas e ruins. A cirurgia cesariana inventada para salvar o bebê quando a mãe já havia morrido, foi aperfeiçoada a tal ponto que fazem uma cirurgia totalmente desnecessária para extração do feto e ambos saem vivos!

Além disso, as parteiras também foram abolidas da obstetrícia, e mesmo os partos de risco habitual passaram a ser “feitos” por médicos. Nessa altura o parto deixou de ser evento fisiológico. O fato é que a doula pode ser qualquer pessoa que seja capaz de dar segurança à parturiente, que acredite no corpo da mulher, que confie no evento do nascimento, que consiga dar carinho, que queira se doar.

A Organização Mundial da Saúde publicou em 1996 um guia de assistência ao parto normal no qual faz uma referência direta às doulas:

"A doula fornece apoio emocional, consistindo de elogios, reafirmação, medidas para aumentar o conforto materno, contato físico como friccionar as costas da parturiente e segurar suas mãos, explicações sobre o que está acontecendo durante o trabalho de parto e uma presença amiga constante. [ ...] O apoio reconfortante constante de uma pessoa envolvida diminui significativamente a ansiedade e a sensação de ter tido um parto difícil, numa avaliação feita por puérperas 24 horas após o parto. Também teve um efeito positivo sobre o número de mulheres que continuavam a amamentar seis semanas após o parto."

Hoje existem cursos de capacitação de doulas, não só para o parto mas também para o pós-parto, consultoras em aleitamento materno, preparadoras de gestantes, doula aculpunturista, e outras mais. Nos países em que a assistência ao parto é referência, as doulas são muito conhecidas e reconhecidas como figura importante para o conforto da parturiente. Seguramente, uma mulher que tem o apoio de uma doula durante a gestação, no parto e pós-parto, recebe além de informação muito carinho, o que ajuda a compreender melhor todo o processo do nascimento humano.

Eloiza Fernandes Giraldi
Mãe, Doula e Educadora Perinatal <3
Gestativa - Grupo de apoio à gestação, parto e puerpério - encontros mensais no Sesc
E-mail - eloizafernandes@yahoo.com.br
Telefones - 47 31219967 / 47 9946 0606


Fonte:
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Assistência ao parto normal: um guia prático. Genebra-Suíça, 1996.

Doulas do Brasil
http://www.doulas.com.br/

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