Criação com apego: Cama compartilhada

sábado, 30 de julho de 2016
postado por Tatiane K.

Antes da Lara nascer eu criticava os pais que deixavam o bebê dormir no mesmo quarto ou cama. Achava que após os 2/3 meses o bebê deveria ser migrado para o quarto dele. Eu mordi a minha língua. Mudei de opinião e o marido também. Mesmo querendo ela perto da gente, tentamos seguir o que o pediatra, obstetra e os outros queriam, tirar o bebê no quarto do casal para não "estragar" o casamento.

Uma semana antes da Lara completar 3 meses, tentei mudar ela de quarto, indo contra a vontade que estava no meu coração. Na verdade, eu mudei junto com ela. Comprei um colchão de solteiro e coloquei no lado da cama dela no chão (quarto inspirado no Método Montessori). Ninguém dormiu feliz, nem eu, nem a Lara e nem o marido. Foi um desastre total. Eu chorei, Lara também e o marido triste que acabava vindo várias vezes no meio da noite me ajudar com o chororô da Lara. Neste momento sim, havia a separação do casal, da família. Teve um dia que me cansei e voltamos para o quarto de casal, da família. Todos dormiram felizes e com amor. Foda-se a opinião dos outros.

Compartilho o texto lindo da pediatra Carlos González:

"Há cerca de 10 mil anos atrás os bebês dormiam junto a mãe ou sobre ela, pois não existiam berços, nem camas. Para sobreviver na hora de maior vulnerabilidade a tribo inteira ficava próxima. Até hoje temos o hábito de dormirmos juntos e quando viaja um parceiro muitos não conseguem pegar no sono. Muitas mães quando o marido não está dormem com os filhos. Então se temos este mesmo comportamento por que esperamos que bebês saibam dormir sozinhos durante a noite toda desde tão cedo?

Imagine um bebê dormindo sozinho em uma tribo por um período de 8 horas seguidas, com certeza ele não teria sobrevivido por mais de 1 hora. Se as crianças que dormiam à noite toda sozinhas existiam elas não sobreviveram e por isto a seleção natural fez com que permanecessem os chorões. Um mecanismo para que o bebê permanecesse em contato contínuo com um adulto durante o sono teve que existir e este mecanismo é duplo. A mãe também deseja estar com seu filho, por isto muitas mães acordam durante a noite ouvindo o choro do bebê, mesmo quando ele está em silêncio. Por este motivo também a criança não consegue dormir sozinha em um berço em outro quarto, é uma questão de sobrevivência para ela que não tem ainda a capacidade de saber que os pais estão no quarto ao lado ou à quilômetros, só terão está capacidade aos 3 anos de idade.


Infelizmente fazer o bebê dormir a noite toda sozinho é o grande objetivo de muitos livros e da Puericultura atual! Não se esqueçam que para um animal o sono é um momento de perigo e vulnerabilidade e nós somos mamíferos. A nossa genética mantem-nos despertos quando nos sentimos ameaçados e só dormimos a noite toda quando nos sentimos seguros. Os nossos filhos estão geneticamente programados para acordar periodicamente, pois herdaram os genes dos sobreviventes. 


Os primeiros anos passam tão rápido! Não vamos exigir coisas à nossas crianças simplesmente por um maior conforto nosso e sem pensar neles!"



Lara com  6 meses

Nosso problema foi resolvido com um berço usado que já passou por 2 bebês, tiramos a grade lateral, amarramos na nossa cama com corda e pronto!

No dia que estávamos montando o berço, a Lara estava numa felicidade, parecia que sabia o que estava acontecendo. Ela tinha apenas 3 meses. Olha o sorriso dela quando colocamos ela no berço novo.




Olha o mini berço que pequeno, sobre ele tem um post Aqui.

Todas as noites antes de dormir ela faz a festa se segurando na grade, ela sabe que ali é o cantinho dela.



Ela não dorme no meio da gente, ela respeita a linha rs. Ela tem a cama no chão no quarto dela, lá é para as sonecas durante o dia, quando dorme sozinha. Ela só dorme na cama compartilhada com alguém junto por questões de segurança, é obvio.



Lara com 11 meses, foto Sabrina Besen

Estou preparando um post sobre o quarto inspirado no Método Montessori da Lara. Quem sabe mês que vem consigo postar. 

Hoje ela tem um ano e mama de 2 a 3 vezes a noite. Não seria possível continuar com a amamentação em Livre Demanda no outro quarto. Ela se mexe procurando o peito, eu sento na cama (a cabeceira da cama é fofinha, apoio um travesseiro nas costas), ela mama em 5 minutos, arrota e já quer se jogar para o "quadrado" dela. Eu volto dormir sem sair da cama. As mamães que amamentam entendem muito bem do que eu estou falando e com certeza, me apoiam 100%. Muito fácil falar quem está de fora, só passando por essa fase para entender. 

Até quando? Não sei, saberemos quando chegar a hora. Mas será depois do desmame. Por mim, ela pode mamar até quando ela quiser e até quando eu tiver forças. Desde que ela nasceu, eu não sei o que é dormir uma noite inteira. Trabalho de 8,5 a 9,5 horas por dia, jornada longa e a noite é segundo tempo. Me adaptei a nova rotina. Não sinto sono durante o dia, acordo bem. Não ficando doente, pode mamar 2 a 3 vezes por noite que a mamãe nem se importa rs. 

Ando meio ausente, mas é por conta da nova rotina. Um abraço a todos.

1 comentários:

  1. q lindo! terceiro post seu q eu leio. Acho que vou virar fã. Quero ser mãe assim, com entrega total!! :) :) Parabens, beijao

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